Por Matheus Souza – Comunicador do Marola & Vendaval – Juventude, Educom e Justiça Climática
No dia 7 de novembro, o Mini Museu Caiçara e a sede da ACAJU (Associação Caiçara do Rio Juqueriquerê) abriram suas portas para uma visita especial. Com um enorme sorriso no rosto, o Mestre Caiçara Pedro Paes nos recebe na entrada, onde uma placa feita por ele mesmo em mosaico de conchas já anunciava o cuidado e o carinho com o território. O aroma de café coado se espalhava pelo ar, nos acolhendo junto às histórias que fluiam naturalmente na voz de seu Pedro.
Em 2024, o espaço recebeu o apoio do FUNBEA -Fundo Brasileiro de Educação Ambiental, o que possibilitou concretizar ações essenciais para a montagem e organização do Mini Museu Caiçara. Hoje, o local abriga um acervo diverso, composto por cerâmicas de artistas locais, quadros, esculturas e antigos instrumentos de pesca, cada item carregando um fragmento da história e do modo de vida caiçara.
Mais do que guardar objetos, o Mini Museu é um guardião das tradições e da memória viva do povo caiçara. Ali se preservam os saberes transmitidos de geração para geração, cultivando as memórias vivas do território às margens do Rio Juqueriquerê, que se adapta às mudanças ao longo dos anos.

FOTO: Pedro Rosa
Durante a visita, seu Pedro nos mostrou uma bacia exposta no museu, a mesma com a qual ele se banhava, ainda menino, nas águas do Juqueriquerê. O relato nos transporta para um tempo anterior ao encanamento e à chegada das redes de água em Caraguatatuba.
“O rio é o mesmo, o que mudou foi como a gente usa ele”
Além do acervo físico, o Mini Museu Caiçara tem se tornado um ponto de encontro de ricas trocas de oralidades, onde crianças, jovens e visitantes podem ouvir histórias sobre o modo de vida tradicional, as antigas técnicas de pesca, o manejo da canoa e os festejos populares da região. O espaço inspira novas gerações a reconhecerem o valor da cultura local e a importância de cuidar do meio ambiente que sustenta essa identidade.
O trabalho de seu Pedro Paes e da ACAJU é também um ato de resistência cultural. Em meio às transformações urbanas e à perda de referências tradicionais, o Mini Museu se firma como um símbolo da memória viva do Juqueriquerê, lembrando que preservar a cultura caiçara é também preservar o equilíbrio entre natureza, território e comunidade. É um convite constante para olhar o rio, ouvir as histórias e compreender que cada objeto ali exposto carrega o tempo, o afeto e a sabedoria de um povo que ainda pulsa à beira d’água.


Fotos: Pedro Rosa