MÃOS NA TERRA

FunBEA incentiva compostagem na praia de Boiçucanga

Por Ana Patrícia Arantes

Quando chegou em Boiçucanga, há trinta anos atrás, Carmem Prado realizava o sonho de fazer do plantar um modo de vida.  Ela começou a atuar no bairro de Boiçucanga como professora e iniciou no seu quintal a relação com a compostagem.

Carmem  é empreendedora do Papel do Quintal,  empresa familiar que desenvolve papéis a partir de fibras de bananeiras e que é também uma das instituições realizadoras do projeto Composta Boiçucanga, junto da Bioveritas,  Húmus do Quintal com apoio do FunBEA.

No contato diário com a terra e as podas de banana do seu quintal, nasceu a ideia dos papéis feitos a partir das fibras das bananeiras. “Hoje utilizamos também as podas e rejeitos de lírio do brejo, bastão do imperador, espada de São Jorge. Cada um resulta num papel diferente”.

O manejo é todo feito em seu quintal, passando pelo cozimento e lavagem, resultando em apenas fibras. Essas fibras são processadas e transformadas em polpa, que posteriormente dão origem às folhas de papel artesanal.

A experiência de Carmem aproximou as pessoas do bairro com os mesmos interesses em soluções sustentáveis, de proteção e bem viver.

“A prática da compostagem pode levar a diversas novas atitudes e em sistema de mutirão, buscaremos a revitalização de áreas, a partir da articulação com a comunidade, considerando seus anseios e propósitos, atuando como um incentivo aos quintais produtivos e plantios comuns” explica Carmem.

Em campo, a experiência no projeto tem sido inspiradora. “A compostagem muda a relação das pessoas com o meio ambiente. Elas percebem o seu lixo e o quanto ele pode ser maravilhoso. Percebem o quanto consomem e isso traz redução. E compostagem também gera terra e adubo”, explica Carmem.

Boiçucanga é um dos bairros mais populosos de São Sebastião, litoral norte de São Paulo e carece de projetos socioambientais. “A comunidade tem uma grande vontade de aprender e acolher ideias como essa” finaliza.

O Movimento de Compostar


     A ação com a comunidade inclui processos de formação e assessoria por mais de 6 meses para cada família envolvida.

O projeto pretende mapear no mínimo 20 espaços de aprendizagens e envolver pelo menos 50 famílias com a destinação dos kits de compostagem. Esta seleção será feita em pontos críticos de despejo inadequado de resíduos que possui contato direto ou indireto com cursos d’água e, que  estão, na maioria, inseridos em Áreas de Preservação Permanente (APP).

Os processos de formação e assessoria acontecerão por 6 meses para cada família que receberá o kit compostagem. Ao longo dos meses, qualquer dificuldade ou dúvida será sanada pela equipe do projeto, que acompanhará todas as etapas de perto, desde a implantação, até a colheita do primeiro adubo. 

É simples compostar?

“Compostar é simples! Não tem segredo”, conta Julia de Lima Krahenbuhl, da equipe Húmus do Quintal, idealizadora do Projeto. “Respeitando condições básicas como umidade, temperatura, quantidade proporcional de matéria seca e alimento, entre alguns poucos fatores, a compostagem acontece”.

          A compostagem é uma prática simples e intuitiva, que a humanidade pratica há mais de 5 mil anos.

As técnicas no projeto envolvem duas formas de compostar – por cilindros e por minhocários.  “O cilindro telado é uma opção de baixo custo, fácil implantação e sem manutenção. Para pessoas que estão iniciando ele encoraja e não oferece grandes dificuldades”, ressalta Julia Krahenbuhl.

Para os espaços de aprendizagem a compostagem será feita por minhocários, por ser um sistema mais didático. Ao contrário do cilindro, o minhocário exige um manejo um pouco mais cuidadoso, pois se algum fator estiver desequilibrado (muita umidade, muito calor ou muito frio, por exemplo), as minhocas podem morrer ou fugir.

“Depois que você inicia a compostagem e colhe seu primeiro adubo, não tem como voltar atrás! É um caminho sem volta. Uma vez que você começa a compostar seus resíduos, isso entra na rotina da sua casa e não se torna “mais uma tarefa à fazer”, explica Julia Krahenbuhl.

O desafio de aproximar financiadores para Compostagem

O FunBEA  é o primeiro e único Fundo no Brasil destinado a financiar e apoiar ações de Educação Ambiental. Para isto, vem articulando parcerias e aportando financiamentos em diferentes segmentos no Brasil,  promovendo uma educação ambiental crítica e emancipadora.

No litoral norte vem atuando com o financiamento através do FEHIDRO – Fundo Estadual de Recursos Hídricos, por meio de parceria com o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte -CBH-LN. “Temos três projetos aprovados pelo Comitê do Litoral Norte, três no Vale do Ribeira e três na Baixada Santista. Todos com a preocupação de envolver a comunidade, mapeando as suas demandas e inserindo-as nos editais propostos pelo Comitê”, explica Semíramis Biasoli, secretária-geral do FunBEA.

Jociani Debeni Festa, secretária executiva do Comitê de Bacias do Litoral Norte aponta que anualmente são realizados processos de seleção de projetos analisados pelos diferentes atores do território que estão nas Câmaras Técnicas do Comitê . “Temos duas fases de análise, uma com o objetivo de melhorar as propostas  e solicitar adequações e a outra, atribuir as pontuações para a classificação”

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