Especialistas sobre justiça climática discutiram em setembro, ações práticas entre a academia e os movimentos sociais.

FunBEA, IEA-USP e Fórum Popular da Natureza reuniram especialistas  para aprofundar o diálogo sobre política ambiental, crise climática e a construção social do futuro.

Eda Tassara, coordenadora do evento e conselheira do FunBEA provocou para o diálogo ressaltando a necessidade da construção de uma política ambiental para o bem comum. ”Houve outras perspectivas de política ambiental, mas nunca voltada para o bem comum. Chegou o momento da ação, de pensarmos na sobrevivência das pessoas que são membros da sociedade”.

Neste olhar de pensar a terra sobre a perspectiva de território e pessoas, Gilmar Mauro, líder do MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra fez um panorama da conjuntura do Brasil relacionado à tendência mundial do capitalismo “O interesse é a valorização do dinheiro. Portanto não tem sustentabilidade” ressalta Gilmar,  e completa: “reservas petrolíferas que jamais foram perfuradas, safras agrícolas que sequer foram plantadas, já são comercializadas na bolsa.  “Há um processo de exploração financeira sobre os alimentos em escala planetária. Vende-se o que não tem”.

Diante das experiências do MST, são necessários novos paradigmas tecnológicos . “Queremos tecnologia na agroecologia sem agredir ou com o mínimo de agressão ao meio ambiente. Tecnologias que diminuam a penosidade do trabalhador”.

Relatório do IPCC aponta que o nível do mar subiu 20 cm entre 1901 e 2018 /imagem: Jornal A Tribuna

É fundamental construir “organização”. Ela é a  memória, é a história.

“Na perspectiva coletiva, o papel das organizações garante a conquista e permite a formação política ideológica, a longo prazo.  Porém é preciso  articular, inclusive, com organizações internacionais”.

Marcos Sorrentino, vice-presidente do FunBEA, ressalta a importância da descentralização de recursos para as iniciativas no território. “Hoje os financiamentos são burocráticos e não chegam na ponta”. Mas como potencializar as organizações?  Ir além da base técnica, do saber fazer para a compreensão política? 

Diversificar os incentivos foi um exemplo mostrado pelo MST por meio do Finapop, um Fundo que uniu experiência entre cooperativas e mercado financeiro no Brasil para incentivar cooperativas, agroindústria e produção agroecológica.

Cooperativas com incentivo do Finapop/ imagem: acervo MST

Educação climática de massa não só para as elites

Ao apresentar os dados do último Relatório sobre mudanças climáticas do IPCC – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas o cientista do Cemaden e do IPCC -, José Antônio Marengo abre a fala científica com muita clareza – “O pior dos mundos já está acontecendo agora” e alerta que as ações devem ser feitas de imediato com o grande desafio de popularizar as temáticas causadoras da crise climática, para o público em geral.

O cientista explicou que a ciência precisa de interlocutores como jornalistas especializados em crise climática e ações de educação para fortalecer os territórios e as comunidades para o enfrentamento. Apontou ainda  que o Cemadem atua com Educação e Desastres Socioambientais, mas ainda é preciso envolver  mais educadores e jornalistas nesta frente.

Eda Tassara ressaltou a importância da educação climática para as massas. “O conhecimento científico deve refletir na cultura, na forma de vida”. Cristina Freire, debatedora, ressaltou a  importância da ética da terra, do que é bom e belo e como pensar na interação entre o campo e o  estudante da USP.

Para Gilmar, do MST, é importante a interação dialética entre o campo e o campus. “Conhecimento é patrimônio da humanidade e devem estar disponíveis para a humanidade”.

Ana Pinho, jornalista e integrante da Coalizão pelo Clima SP falou da campanha #Setembro pelo Clima nas escolas públicas, que ofereceu material didático para o educador, além de  ações práticas  que teve como objetivo facilitar o entendimento para a participação da sociedade.

Política deve ser feita pela multidão.

Henrique Magalhães,  do Fórum Popular da Natureza , falou da experiência do Fórum pelo Brasil, com diferentes movimentos com práticas nos territórios.

Eda Tassara ressaltou a importância do evento e da troca  do diálogo: “O evento foi plural e cada um vai precisar se integrar. “Existe uma base pacificadora no campo popular brasileiro, que precisa ser redescoberta. Política  deve ser feita pela multidão, temos que  começar pelos grupos”, finalizou.

Quer saber mais? Acesse o evento pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=2ymLcPjENhQ

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