Entrevista com Maria Henriqueta Andrade Raymundo

Publicado em: 27/08/2019Categorias: Anppea, Educação Ambiental, Formação, Notícias0 Comentários

Maria Henriqueta Andrade Raymundo, membro da secretaria executiva e formadora da ANPPEA que articulou nas cinco regiões do País para a construção da Plataforma.

Podemos considerar os indicadores de EA lançados em dezembro de 2018 o coração da Plataforma? Eles foram concebidos como uma maneira de facilitar o trabalho de análise das políticas e projetos de EA?

Sim, os indicadores são o coração da Plataforma. Os indicadores foram criados por meio de um processo participativo, entre 2016 e 2018, passando por três elementos metodológicos: coordenação científica; encontros e diálogos; e método Delphi. Essa metodologia envolveu mais de 800 educadores ambientais, gestores públicos, representantes de redes de educação ambiental, Comissões Interinstitucionais de Educação Ambiental (CIEAs), Coletivos Educadores, prefeituras, escolas, universidades, setor privado e entidades da sociedade civil. Ela possibilitou diálogos, autoavaliação, aprendizados, resgates históricos, construção coletiva, interação, análise científica, planejamentos, aprimoramentos, tomadas de decisão etc.

Sabemos que o país carece de um levantamento atualizado, abrangente, quantitativo e qualitativo das políticas e projetos de EA . Como os indicadores e a Plataforma poderão contribuir para que os formuladores e avaliadores de políticas de EA sejam municiados de elementos visando à implementação mais efetiva e qualitativa da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA)?

Tanto a alimentação da Plataforma e o acesso aos seus dados serão abertos aos atores que atuam no campo da educação ambiental e a sociedade em geral. Será, portanto, uma fonte de pesquisas acadêmicas e de formulação de políticas públicas a todos os interessados.

Acredita-se que uma implementação mais efetiva e qualitativa da PNEA poderia funcionar como braço valioso de apoio à execução da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) e políticas ambientais específicas, tais como as políticas nacionais de resíduos sólidos (PNRS), sobre mudança do clima (PNMC) e a da biodiversidade. Você poderia comentar essa conexão entre Plataforma, PNEA, PNMA e políticas ambientais específicas?

A educação ambiental, geralmente está presente em todas as demais políticas setoriais. Porém, ela muitas vezes é vista como um adereço, materiais para sensibilização, por exemplo, como folders e campanhas, sendo constantemente realizada por meio de ações pontuais. Dessa forma, com os indicadores é possível detectar a riqueza da educação ambiental e a diversidade de formas de trabalhá-la dentro destes setores específicos da PNMA, ou temáticas específicas, como resíduos sólidos ou clima.

“Juntos, indicadores e Plataforma poderão contribuir para uma etapa importante no ciclo das políticas públicas de educação ambiental, que é o monitoramento e a avaliação que poderão ser feitos por gestores públicos e a sociedade em interação de forma permanente e continuada”

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