“O que acontece quando o recurso chega nos territórios?”, perguntou Larissa Amorim, diretora executiva da Casa Fluminense, durante um dos painéis realizados na Casa Sul Global, em Belém, durante a COP 30. Em seguida, ela respondeu: “resiliência comunitária, brigadas, mapeamento de enchentes, captação de água da chuva, fortalecimento da agroecologia familiar… Acontecem coisas incríveis quando o recurso chega, mas o recurso ainda tem chegado muito pouco”.
Larissa foi uma das convidadas da mesa “O que acontece quando o recurso chega nos territórios? Uma conversa sobre a filantropia de presença que anda de mãos dadas com as soluções climáticas locais”. O painel, mediado por Semíramis Biasoli, secretária-geral do FunBEA, aconteceu no dia 17 de novembro e integrou a programação da Casa Sul Global. Ambas organizações, das quais Larissa e Semíramis fazem parte, Casa Flu e FunBEA, respectivamente, fazem parte da Aliança Territorial da Rede Comuá – uma rede de 7 organizações que já trabalham com a perspectiva territorial e filantropia comunitária e que há 2 anos vem somando forças para ampliar financiamento e ações territoriais em toda costa litorânea do Brasil. Também participaram da conversa a representante do Funbio, Andre de Melo Martins, Cristiane Azevedo do ISPN, Natália Cerri, do Itausa, Naysa Ahya, do Adaptation Fund e Facundo Ibarlucia, do Fundo Plurales.
Iniciativa da Rede Comuá em parceria com a Alianza Socioambiental Fondos del Sur, a Casa Sul Global foi um espaço dedicado a diálogos sobre o financiamento para o clima, natureza e ações socioambientais no Sul Global.
Participantes da mesa “O que acontece quando o recurso chega nos territórios? Uma conversa sobre a filantropia de presença que anda de mãos dadas com as soluções climáticas locais”.

Foto: @sof_hage – Ventos Do Norte.
Os debates realizados na Casa Sul evidenciaram a eficiência da arquitetura de financiamento pensada e promovida pelos fundos e organizações independentes do Sul Global. Nesta maneira de fazer filantropia, os territórios, comunidades e conhecimentos locais são os detentores de seus próprios destinos, a partir de um apoio realizado com escuta atenta às necessidades locais, além do trabalho de fortalecimento das capacidades já existentes. É neste sentido que a Aliança Territorial pensa e realiza os seus apoios, compostos pelo apoio direto (financeiro) e o indireto (formador), este último cunhado pela perspetiva da educação popular, justiça climática e pelo cuidado. Neste sentido, a secretária geral do FunBEA ainda destacou: “Quando a gente fala de educação, a gente fala de uma intenção pedagógica. Há, sim, uma intenção pedagógica de fortalecer os movimentos e coletivos socioambientais, entendendo a necessidade desse fortalecimento como contribuição para democracia”, disse.
Aliança Territorial da Rede Comuá é uma iniciativa formada pelo FunBEA, Casa Fluminense, Instituto Procomum, Redes da Maré, Tabôa Fortalecimento Comunitário e Instituto Comunitário da Grande Florianópolis (ICOM). Seus sete membros atuam a partir da perspectiva de uma filantropia de “presença e permanência”. Beto Vilela, diretor-executivo da Tabôa, explica aqui um pouco mais sobre a filantropia de presença.