Por Vitória Amaral de Oliveira  – Comunicadora do Marola e Vendaval – Juventude, Educom e Justiça Climática

Em nosso cotidiano, podemos perceber que desastres vêm acontecendo cada vez com mais frequência. Poucas áreas recebem o devido cuidado e manutenção que deveriam e consequentemente alertas são ignorados, até que chega o dia da tragédia, e podemos ver esses exemplos aqui, ocorrendo em nossa cidade.

Entre os anos de 2006 a 2010, a Defesa Civil e o Instituto Geológico, realizaram diversos mapeamentos nas áreas de São Sebastião. Desde aquela época, foram registrados zonas de risco na cidade, a maior parte delas com pessoas que ali residiam, porém, nenhuma atitude foi tomada. Alguns exemplos disso são:

Em 2014, após uma chuva intensa, em alguns bairros como Barra do Sahy, Boiçucanga e Maresias, pessoas sofreram com os alagamentos e enchentes em suas casas.

Em 2016 um casal morreu soterrado em Boiçucanga, 26 famílias ficaram desabrigadas e diversos pontos da cidade sofreram quedas de barreiras, como na Rio-Santos, que ficou interditada por meses.

No ano de 2023, a cidade sofreu uma das maiores catástrofes já vistas: uma grande chuva em fevereiro que deixou milhares de pessoas desabrigadas e 65 morreram. Antes mesmo dessa tragédia, a região já era considerada uma área de risco.

Após o evento, a Prefeitura São Sebastião ofereceu apoio para os bairros por meio de benefícios financeiros, realocação de pessoas e planos de adaptação para desastres. Solicitamos uma entrevista para entender os trabalhos de prevenção nos bairros, porém não obtivemos resposta.

Esses desastres e muitos outros, poderiam ter sido evitados. Anos se passaram desde o primeiro mapeamento da cidade, e os dados já comprovaram que iriam acontecer mais cedo ou mais tarde. Mas não foi feito nada até que a tragédia tivesse ocorrido. Hoje ainda pode se encontrar pessoas que moram em áreas de risco na cidade.

“O perigo não foi erradicado, foi apenas escondido”,

e nada será feito até que ocorra outra tragédia.

 

Vitória Amaral de Oliveira, Comunicadora do Marola e Vendaval – Juventude, Educom e Justiça Climática. Foto: Arquivo pessoal