FunBEA participa do XIV Diálogo Interbacias de Educação Ambiental em Recursos Hídricos

A secretária executiva do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), Semíramis Biasoli, e a membro da Secretaria Executiva, Isabela Kojin, participaram de roda de diálogo do XIV Diálogo Interbacias de Educação Ambiental em Recursos Hídricos. O evento foi dias 19 e 20/9 em São Pedro (SP).

Para Semíramis, a participação do FunBEA no evento teve três pontos significativos. “Primeiro, o convite para um fundo para a Educação Ambiental apresentar suas bases conceituais e operacionais demonstra o reconhecimento da importância dessa iniciativa”, disse.

O segundo ponto destacado pela secretária executiva foi a qualidade da troca que esse tipo de encontro promove. “Foi uma oportunidade de conhecer o que outras instituições, projetos e experiências estão fazendo”, afirmou.

O terceiro ponto positivo, na visão de Semíramis, foi ver a união de gestores e educadores presentes num encontro específico de Educação Ambiental. “Isso demonstrou a luta pela causa num momento crítico em que estamos passando, em que a Secretaria de Estado de Meio Ambiente propõe a extinção da Coordenadoria de Educação Ambiental”, disse ela, criticando a atitude do governo estadual, que desconsidera o acúmulo da área e a contribuição que a educação pode dar para ao Meio Ambiente como um todo. “É nítido o desmonte de uma coordenação que trabalha com educação, com processos preventivos, com a promoção de políticas públicas no Estado, em conjunto com a sociedade civil.

Semíramis destacou que foi feita uma moção, durante o evento, pedindo a abertura de diálogo com o secretário Ricardo Salles. “A posição do FunBEA é de que não tem sentido essa extinção da coordenação. Precisamos de mais recursos, equipe fortalecida e autonomia para tomada de decisões. É isso que a Educação Ambiental requer e é por isso que lutamos não somente no Estado de São Paulo, mas em todo o País”, complementou.

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O evento
O XIV Diálogo Interbacias de Educação Ambiental em Recursos Hídricos é uma iniciativa pioneira no país, realizada desde 2003 no Estado de São Paulo. A organização anual é dos comitês de bacias estaduais, como um projeto de Educação Ambiental contínuo e permanente, que proporciona, entre outros fatores, a construção de valores e a aquisição de conhecimentos, atitudes e habilidades.

Durante o Diálogo os participantes têm a oportunidade de conhecer projetos em desenvolvimento pelos comitês de bacias, nas escolas e nos municípios, voltados para a gestão das águas. O público do Diálogo Interbacias é composto por educadores, membros dos comitês de bacias, prefeitos, técnicos e representantes da sociedade civil.

Esta edição do evento teve como tema “Desafios para a Educação Ambiental, capacitação e mobilização social frente à crise hídrica”. As representantes do FunBEA participaram da roda de diálogo sobre a Articulação Nacional de Políticas Públicas de Educação Ambiental (ANPPEA), o FunBEA e o Observatório Brasileiro de Monitoramento e Avaliação de Políticas Públicas de Educação Ambiental (ObservaEA) como instrumentos para o fortalecimento de políticas públicas de Educação Ambiental.

Entrevista
O FunBEA conversou, durante o evento, com André Navarro, especialista ambiental e coordenador da Câmara Técnica de Educação Ambiental do Comitê da Bacia Hidrográfica Turvo-Grande (CBH-TG). Confira

FunBEA: Qual a importância do Diálogo Interbacias para a Educação Ambiental e recursos hídricos?
André Navarro: O Diálogo Interbacias de Educação Ambiental em Recursos Hídricos, já em sua 14ª edição, é mais que um evento. Trata-se de um rico espaço de troca de experiências, articulação e integração entre diversos atores envolvidos com a Educação Ambiental nas unidades hidrográficas de gerenciamento de recursos hídricos (UGRHIs) paulistas. O tema “água”, em razão de sua multidisciplinaridade e relação com todos os aspectos da vida humana, contribui sobremaneira para a riqueza dos debates. Constitui também um espaço de formação, tanto pelas trocas diretas entre os participantes como pelas rodas de diálogo, dinâmicas e minicursos que permeiam sua programação.

FunBEA: Qual foi a proposta desse ano?
André Navarro: Em 2016, o Diálogo, como já é carinhosamente conhecido o evento, foi realizado em uma versão compacta de dois dias, com o objetivo de discutir sobre Educação Ambiental, Capacitação e Mobilização Social. Não houve a apresentação de trabalhos e o oferecimento de minicursos, o que centrou o evento nas rodas de diálogo, no dia 19 de setembro, e em importante espaço de discussão e formação, no dia 20 de setembro. Relatos ouvidos de vários participantes mostram que esse formato foi bem aceito, principalmente em razão do aprofundamento das discussões proporcionada pela programação do segundo dia.

FunBEA: Quais os principais destaques do evento?
André Navarro: No primeiro dia (19), foram realizadas duas rodas de diálogo. Uma delas tratou dos aprendizados supervenientes da crise hídrica e sua relação com a gestão dos recursos hídricos. Nessa roda, representantes do governo do Estado de São Paulo e das bacias Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) apresentaram importantes lições aprendidas durante o enfrentamento da crise. A outra roda apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento das Câmaras Técnicas de Educação Ambiental (CTEAs), como os Encontros Estaduais de CTEAs e a parceria com instituições de ensino superior e entidade voltadas à promoção de políticas públicas de Educação Ambiental, como o FunBEA e a ANPPEA.

Também foram apresentadas informações sobre o andamento da organização do Fórum Mundial da Água, a ser realizado em 2018 no Brasil.

Podemos considerar também um importante produto do evento a elaboração de uma carta endereçada ao secretário de Estado de Meio Ambiente, Ricardo Salles, no intuito de estabelecer um canal de diálogo sobre a desestruturação da Coordenadoria de Educação Ambiental (CEA). A elaboração do documento foi motivada pela preocupação dos participantes do evento com os resultados dessa ação em relação à continuidade do ótimo trabalho que vinha sendo realizado pela CEA na condução da Política Estadual de Educação Ambiental.

FunBEA: Na sua opinião, qual o cenário atual da Educação Ambiental na temática dos recursos hídricos?
André Navarro: Creio que a crise hídrica teve como um de seus resultados a ampliação da exposição da temática dos recursos hídricos nos canais de comunicação de massa e outros espaços de divulgação. Diversos subtemas foram explorados pela imprensa e discutidos em redes sociais com maior ou menor profundidade, resultando em diferentes enfoques. O fato de a temática hídrica estar em alta constitui, ao mesmo tempo, uma oportunidade e um desafio. Oportunidade à medida que a maior exposição gerou uma melhor receptividade às questões técnicas relacionadas à gestão das águas, as quais precisam ser discutidas nos ambientes formais e não formais da sociedade. Desafio porque caberá aos educadores ambientais desenvolverem, nessa importante interação, abordagens que proporcionem a compreensão de toda a complexidade que permeia o tema, bem como na mobilização dos diversos públicos e atores para a solução dos problemas que enfrentamos diariamente em relação à quantidade e à qualidade das águas.

FunBEA: Qual o cenário atual da Educação Ambiental dentro e nas ações dos comitês de bacias e como fortalecê-la nesses espaços?
André Navarro: Como coordenador de uma das Câmaras Técnicas de Educação Ambiental dos Comitês de Bacia Hidrográfica paulistas – no CBH-TG –, acredito que a Educação Ambiental evoluiu muito nos últimos dez anos no âmbito dos CBHs. Atualmente, todos eles têm CTEAs constituídas e em funcionamento. No entanto, a maioria das câmaras enfrenta dificuldades para colocar a Educação Ambiental entre as pautas prioritárias dos colegiados.
Importantes movimentos de articulação dessas câmaras técnicas, objetivando o fortalecimento de sua atuação nos respectivos CBHs, foram os dois encontros estaduais de CTEAs, capitaneados pela CTEA/CRH, realizados em dezembro de 2015 e em março de 2016. A partir da troca de experiências exitosas, os eventos auxiliaram muitas câmaras técnicas a buscar estratégias para a inserção mais efetiva da Educação Ambiental nas discussões dos comitês.
Outra ação importante voltada ao fortalecimento da Educação Ambiental nas bacias diz respeito à definição de prioridades. As CTEAs precisam se apropriar dos documentos técnicos produzidos no âmbito dos CBHs, em especial os diagnósticos, com vistas à identificação dos principais problemas relacionados às condições das águas nas bacias. Face às principais problemáticas identificadas, as câmaras técnicas poderão propor programas e ações de formação e mobilização a serem formalizados e fomentados pelos CBHs.

FunBEA: Qual a dinâmica e a importância das câmaras técnicas de Educação Ambiental (CTEAs)?
André Navarro: As CTEAs são instâncias consultivas, que orientam os plenários dos CBHs nas questões relacionadas à Educação Ambiental. São responsáveis, em muitos CBHs, por organizar eventos e ações de capacitação e mobilização. As atribuições específicas de cada CTEA são definidas em deliberação do respectivo comitê e variam bastante entre os CBHs. O fortalecimento das CTEAs passa, necessariamente, pela sensibilização dos representantes dos plenários dos colegiados acerca da importância da contribuição dessas instâncias técnicas para as decisões dos CBHs.

Ao passo que estiverem participando mais ativamente das discussões consideradas prioritárias no âmbito dos colegiados, poderão agregar à aplicação dos instrumentos de gestão os valores e princípios que permeiam a Educação Ambiental, de forma a fortalecer as dimensões ética e sistêmica no gerenciamento dos recursos hídricos das bacias paulistas.

Entrevista realizada por Isabela Kojin Peres

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